terça-feira, 8 de abril de 2008

A PÍLULA DO DIA SEGUINTE – pode mudar alguma coisa?


(descoberta uma pílula capaz de mudar o passado ??????????)

O que passou, passou. Não se pode mudar o passado. Pode-se sim, tentar evitar os efeitos do passado. Aquele que furtou nunca poderá negar o furto que praticou. Mas poderá – e deverá – reparar o efeito do furto, devolvendo ao dono o objeto furtado. Uma ofensa praticada nunca deixará de ter sido uma ofensa. Mas seu efeito poderá ser reparado mediante um pedido de perdão. Se alguém comprou um produto com defeito, poderá desfazer o negócio; mas não poderá mudar o fato de que um dia comprou aquela mercadoria defeituosa.

Da mesma maneira, se uma mulher concebeu, sempre será verdade que ela concebeu. Ainda que no dia seguinte ela provoque um aborto, de modo a livrar-se do efeito da concepção (a criança concebida), ela não poderá mudar o passado. Ou poderá?

Segundo alguns laboratórios farmacêuticos e segundo o próprio Ministério da Saúde, o passado pode ser mudado.

Suponhamos que o ato sexual tenha ocorrido hoje.

Pesquisas de laboratório demonstraram que o esperma pode chegar ao interior das trompas de Falópio, onde acontece a fecundação, depois de cinco minutos da relação [...]. Algumas pesquisas até demonstraram que, com a ajuda das contrações uterinas, o transporte dos espermatozóides ao interior das trompas, já por si rápido, pode durar até um só minuto”[1].

Suponhamos que a mulher esteja em seu período fértil, de modo que tenha havido o encontro entre o óvulo e o espermatozóide, do qual resultou um novo ente humano, uma criança com o tamanho de apenas uma célula, denominada ovo ou zigoto. Esta criança ainda não está no útero. Está na trompa de Falópio, mas será conduzida até o útero, onde se fixará. O processo de implantação (ou nidação) da criança no útero começa no sexto dia de vida e se completa por volta do 12º dia. Nesta fase, a criança já é constituída de várias células, dispostas em uma estrutura denominada blástula ou blastocisto.

Continuemos a nossa estória.

No dia seguinte após o ato sexual, a mulher que já concebeu, toma uma pílula. Essa pílula, conhecida como “pílula do dia seguinte”, contém uma dose muito grande de hormônios sintéticos. Que faz essa pílula? Causa um aborto? “De maneira alguma!” – diz o Ministério da Saúde. “Ela não é abortiva! É um anticoncepcional de emergência! Ela apenas impede a concepção”....

Mas a concepção já não ocorreu no dia anterior? Sim, mas essa pílula tem um efeito retroativo: ela faz que a concepção – que já ocorreu – deixe de ter ocorrido. Ela faz que a mulher, que já concebeu, nunca tenha concebido. Ela é capaz de alterar o passado. Incrível, não?
Costuma-se dizer, jocosamente, que o cúmulo da rapidez é trancar a gaveta e colocar a chave dentro dela. A rapidez a que se refere essa anedota é semelhante à da “anticoncepção de emergência” (AE) da pílula do dia seguinte. O efeito deixa de ser posterior à causa. A causa passa a produzir um efeito anterior a ela!

Ação abortiva da “pílula do dia seguinte”

A chamada "pílula do dia seguinte" é "um preparado a base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente ‘anti-implantação’, isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio de blástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede. O resultado final será assim a expulsão e a perda desse embrião"[2].

O discurso do fabricante em 2001

O mecanismo de ação descrito acima era confirmado pela própria Aché, que no Brasil, desde a publicação da Portaria n.º 204, de 11 de março de 1999, da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) comercializa a droga sob o nome de Postinor-2. O parágrafo a seguir foi transcrito do próprio sítio da Internet em 2001[3]:

"Como funciona o método de contracepção de emergência Postinor-2?

Se você tomar o primeiro comprimido de Postinor-2 até 72 horas após ocorrer uma relação sexual desprotegida ele vai impedir ou retardar a liberação do óvulo do ovário, impossibilitando a fecundação ou, ainda, impedirá a fixação do óvulo fecundado no interior do útero (a nidação), através da desestruturação do endométrio (parede interna do útero)." (grifo nosso)

O fato que o próprio laboratório fabricante admitia é este: a pílula impede que o ente humano concebido na trompa venha a se implantar no útero.

Ora, a causação da morte de um bebê dentro do organismo materno é um aborto. A conclusão óbvia, que ninguém poderia negar, é que a chamada "pílula do dia seguinte" é abortiva. Isso, porém, o fabricante negava, no parágrafo seguinte ao citado anteriormente:

"O método da contracepção é abortivo?

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a gravidez só tem início após a implantação do ovo no útero, quando Postinor-2 não tem mais efeito. Portanto, Postinor-2 não é abortivo."

Vê-se o malabarismo verbal usado para ocultar o aborto.
Segundo a Aché, o aborto só poderia haver após o início da gravidez. E como a gravidez — diz a Aché — só começa quando a criança se implantou no útero, não haveria problema em matar a criança concebida, mas ainda não implantada na parede uterina. Tal morte não seria um aborto.

Algumas perguntas, porém, ficavam sem resposta: 1) Que diferença faz matar um bebê com poucos dias de vida (ainda no estágio de blástula ou blastocisto) e matar um bebê já fixado no útero, digamos, já com algumas semanas de vida? 2) Baseado em que motivo pode-se dizer que a gravidez começa apenas com a implantação, e não com a fertilização do óvulo pelo espermatozóide?

Etimologicamente, "gravidez" vem do latim "gravis", que significa pesado. A mulher grávida seria aquela que carrega dentro de si um "peso": um bebê por nascer. Um sinônimo de gravidez é "gestação", que vem do latim "gestare", que significa “levar, transportar”. A mulher gestante é aquela que está “carregando” um bebê por nascer.

Não importa que o não nascido esteja na trompa, no útero ou em outro lugar. O que importa é que ele está dentro de sua mãe.

Após a implantação (ou nidação), a criança cria uma "rede" de comunicação com a mãe, que inclui a placenta e o cordão umbilical. Mas antes de se implantar, de onde a criança retira seu alimento? Do lugar onde está, é óbvio. Se ainda está na trompa, é lá que ela vai-se alimentar, a fim de desenvolver-se e tornar-se apta a criar sua "casinha" no útero. Portanto, a mãe já é fornecedora de alimentos desde a concepção, que se dá no terço distal da trompa. Não faz sentido dizer que a gestação começa apenas após a implantação.

Citemos novamente a Pontifícia Academia para a Vida:

"A gravidez, de fato, começa com a fertilização e não com a implantação do blastocisto na parede uterina, que é o que tem sido implicitamente sugerido."

O discurso do fabricante hoje

Talvez o reconhecimento da fragilidade da argumentação acima tenha feito com que os defensores da “pílula do dia seguinte” mudassem de discurso. Em 2001, a bula de Postinor-2, admitia o efeito abortivo, embora sem usar esse nome:

“Acredita-se que Postinor-2 age para prevenir a ovulação, a fertilização e a implantação. Não é eficaz uma vez iniciado o processo de implantação. Os seguintes sítios de ação participam da ação contraceptiva do Postinor-2:

(1) eixo hipotalâmico-pituitário-ovariano;
(2) inibição da ovulação dependendo do horário e da frequência de ingestão;
(3) fator endometrial (inibição direta da implantação ou efeito direto sobre a blástula)...” [os grifos são nossos].

Agora, a bula de Postinor-2 garante que a pílula não impede que a criança concebida venha a se implantar na parede uterina (endométrio):

Assim sua ação pode se dar: pela inibição ou retardo da ovulação; por dificultar o ingresso do espermatozóide no útero; por alterar a passagem do óvulo ou espermatozóide pela tuba uterina. Se já tiver ocorrido a fecundação, ou seja, a união do espermatozóide com o óvulo formando o ovo, a medicação não mais agiria, por não apresentar ação no endométrio”.[4]

Portanto, uma droga que em 2001 era abortiva, agora não seria mais. O mesmo diz hoje o Ministério da Saúde: “Não existe nenhuma sustentação científica para afirmar que AE seja um método que resulte em aborto, nem mesmo em um percentual pequeno de casos. As pesquisas asseguram que os mecanismos de ação da AE evitam ou retardam a ovulação, ou impedem a migração dos espermatozóides. Não há encontro entre os gametas masculino e feminino e, portanto, não ocorre a fecundação”.[5]

Mas a emenda ficou pior do que o soneto. Pois, se esse fármaco tão-somente impede a fecundação, por que ele é usado depois de um ato sexual, em um intervalo de tempo que pode ir até três dias, (ou até cinco dias, segundo o Ministério da Saúde)?

Um efeito acidental

Descartando a hipótese de uma influência sobre o passado, haveria alguma chance de essa pílula funcionar como anticoncepcional? Haveria, mas só acidentalmente. Um relógio de pulso – que é fabricado para mostrar as horas – pode, acidentalmente proteger um cidadão contra uma bala perdida. A pílula do dia seguinte, feita para provocar um aborto, poderia, por acidente, impedir a concepção.

Imaginemos o seguinte caso: o ato sexual ocorreu hoje; mas a mulher iria ovular amanhã. Amanhã, portanto, haveria o encontro do óvulo recém-produzido com algum espermatozóide do dia anterior. A dose enorme de hormônios dessa pílula, poderia então impedir que o óvulo fosse produzido, e atuar assim como anticoncepcional. Esse efeito acidental não explica, porém, o alto Índice de Efetividade da droga. Segundo o Ministério da Saúde, “a AE apresenta, em média, Índice de Efetividade de 75%. Significa dizer que ela pode evitar 3 de cada 4 gestações que ocorreriam após uma relação sexual desprotegida.”[6].

Uma efetividade tão grande só se explica pela ação fundamentalmente abortiva dessa pílula. Convém lembrar que tal aborto é assintomático, isto é, não é percebido pela mulher, assim como ocorre com as usuárias do DIU (dispositivo intra-uterino) e de outros abortivos que impedem a nidação.

Uma atitude corajosa e pioneira

No dia 24 de janeiro de 2008, o arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou que iria ajuizar uma ação judicial para tentar evitar que a Prefeitura de Recife distribuísse a “pílula do dia seguinte” na cidade durante o Carnaval deste ano.[7]

A ação civil pública foi ajuizada pela Associação de Defesa dos Usuários de Seguros e Sistema de Saúde (Aduseps). Lamentavelmente, no dia 30 de janeiro, o juiz José Viana Ulisses Filho, da 7ª Vara da Fazenda Pública da capital (mas respondendo também pela 6ª vara, onde tramita o processo n.º 001.2008.003792-6) negou o pedido liminar de suspensão da oferta da droga, alegando não haver provas suficientes de que ela é abortiva.[8]

A atitude é louvável devendo ser seguida. Esta é a primeira vez que alguém no Brasil recorre ao Judiciário contra a “pílula do dia seguinte”. Em outros países latino-americanos, como Argentina e Chile, essa medida já foi tomada há muitos anos pelos defensores da vida. Não podemos desistir. Sempre há a esperança de que o processo venha a cair nas mãos de um juiz que não admita que uma pílula possa mudar o passado...

No Chile, (março de 2008) a Suprema Corte de Justiça proibiu a distribuição da Pilula dia seguinte pelo Governo, por haver indícios razoáveis de que a droga poderia ser abortiva, o que poria em risco a defesa constitucional da vida.

Notas:
[1] WILKS, John. Contracepção pré-implantatória e de emergência. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 2007, p. 138.
[2] Pontifícia Academia para a Vida - Declaração sobre a chamada ‘pílula do dia seguinte’ - Cidade do Vaticano, 31 de outubro de 2000.
[3] Disponível em http://www.postinor2.com.br. Acesso em 28/04/2001.
[4] Disponível em: Acesso em: 10 fev. 2008. Os grifos são nossos.
[5] BRASIL. Ministério da Saúde. Anticoncepção de Emergência. 28 jan. 2008. Elaboração: Jefferson Drezett. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/artigo_anticoncepcao_emergencia_2008.pdf Acesso em: 09 fev. 2008.
[6] Loc. cit.
Adaptado Por Zenóbio Fonseca
FONTE: Pró-Vida de Anápolis

6 comentários:

Anônimo disse...

E tambem nao seria pior que matar, estando uma mae tendo de obrigatoriamente dar vida a uma criatura sem ter condicoes de cria-lo. Isso entao seria pior que abortar estaria entao matando pouco a pouco durante seu crescimento dia apos dia, obrigando um ser a viver em um lugar sem condicoes de ter uma vida digna. Antes de se pensar em proibir o aborto seria melhor tentar melhorar a vida ao nosso redor para que estes serzinhos que na maioria das vezes de familias pobres ou de maes sem estrurura emocional, poderem ter uma vida digna ao nascer.

ajacomamor disse...

Anônimo não merece resposta

Dalila disse...

Acho que deve haver uma tentativa mais robusta de discutir esse tipo de assunto sem envolver religião ou convenções discutíveis sobre o que é gravidez, onde a vida começa a ser realmente vida, etc, etc (o que vale para os dois lados.) Tudo isso é discutível, pois o primeiro argumento é um valor moral que ninguém tem obrigação de aderir, e o segundo pode ser uma convenção científica de alguma pessoa ou grupo em um determinado momento na história e na sociedade. Ambos parâmetros evoluem com o tempo e mudam de lugar para lugar. É como quando achamos estranhos alguns rituais ou hábitos de culturas muito diferentes ou de épocas muito diferentes. O que é fato é que, biologicamente, é observado que somos "programados" para poder empreender a reprodução continuamente, por várias caracteristicas nossas que ficariam muito extensas de enumerar aqui... Junto a isso, contrariando nossa "natureza", vivemos em uma sociedade moderna e evoluida em que , na maioria das vezes, não há sentido na reproducao continua de um individuo desde sua maturidade sexual. Por isso foram criados o métodos contraceptivos, e a pílula do dia seguinte é apenas mais um, e muito importante, pois pode remediar acidentes e garante à pessoa a liberdade de ação para o planejamento e relação sexual, inclusive, não esqueçamos, em casos de violência sexual. Eu, particularmente, sou a favor inclusive do aborto, e respeito a opinião de quem não é. A questão é tentar nos livrar dos conceitos religiosos ou dúbios para uma discussão sólida. Uma mulher é prejudicada quando é impedida de exercer o direito sobre o próprio corpo quando as discusões a respeito não se baseiam em nada sólido _ ninguém é obrigado a crer a crença do outro. Recentemente ouvi uma frase muito boa, que cabe sutilmente aqui: "Liberdade para os cegos não é um espaço aberto, é um espaço onde os dedos possam tocar as paredes, é confinamento, que significa proteção". ( está no filme blindness, do nosso fernando meirelles) :)

Dalila disse...

Errata: na frase : "pois pode remediar acidentes e garante à pessoa a liberdade de ação para o planejamento e relação sexual", quis realmente dizer: "pois pode remediar acidentes e garante à pessoa a liberdade de ação para o planejamento e a realização pessoal". ;)

Anônimo disse...

boa tarde, eu sou casada e não tenho filhos pois moro longe dos meus parentes e só pretendo ter quando voltar pra minha cidade. essa semana tive relaçoes com meu marido e estava no periodo fertil, por um descuido meu marido ejaculou dentro, ele nervoso mandou que eu comprasse a pilula do dia seguinte e eu numa atitude forte disse que não compraria pois PRA MIM ISSO É UM ABORTO!!! não conheço nada da ciencia, nunca li sobre a pilula, mas tenho plena certeza que uma vida existe apos o encontro do espermatozoide com o ovulo, ali já existe uma vida, se a ciencia diz outra coisa problema dela! é uma vida!!!! eu disse essas coisas pra ele e disse que a criança não tem culpa... culpa temos nois e deveres tambem de agora cuidar. ESSA DESCULPINHA IDIOTA QUE A PESSOA NÃO VAI TER COMO CUIDAR, OU QUE VAI SER MAIS UMA CRIATURA NO MUNDO, QUE A PESSOA NÃO VAI DAR AMOR...ISSO É PRA FORTALECER A MENTIRA, POIS AMOR VEM COM O TEMPO, ASSIM COMO CONDIÇÕES, AS PESSOAS DÃO SEMPRE UM JEITINHO, NINGUEM QUE TEM DINHEIRO PRA COMPRAR PILULA DO DIA SEGUINTE, VAI MORRER DE FOME APOS TER UM BEBE!!! O QUE SE DEVE FAZER É PARAR DE SAIR TRANSANDO COM QUALQUER UM COMO SE FOSSEM ANIMAIS E DEPOIS FALAR QUE NÃO TEM CONDIÇOES, POIS ANIMAIS CRUZAM MAIS CUIDAM DOS SEUS FILHOS, ATÉ NISSO ELES SÃO MELHORES QUE NOIS!!!PENSASSE NISSO ANTES DE FAZER, FAZER É BOM, MAS NA RESPONSABILIDADE NINGUEM LEMBRA, ACEITAR E TOMAR PILULA DO DIA SEGUINTE É ASSASSINATO! NÃO SOU EU QUE DOU A VIDA, É DEUS!!! E É SOMENTE ELE QUE TEM O PODER DE TIRAR A VIDA!!! SE EU FIZER VOU DAR CONTA A ELE...

Alessandra disse...

Temos que assumir nossos atos ao invez de querermos que o mundo seja melhor, temos que ser responsaveis, ter relação sexual sem ter a familia, já é uma grande irresponsabilidade, se não tem condições em assumir um filho, então não tenha relações ou então se previna, mas não cometa o pecado do aborto !! As pessoas deviam temer mais a Deus, assim agiriam melhor.Quando passarem a assumir os seus atos, deixam de ter filhos sem amor, ou mesmo sem que seja o momento!!