domingo, 16 de agosto de 2009

As 95 Teses de Lutero


1ª Tese - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: "Arrependei-vos", certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2ª Tese - E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3ª Tese - Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

4ª Tese - Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5ª Tese - O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese - O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7ª Tese - Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8ª Tese - Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas as Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese - Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

10ª Tese - Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese - Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12ª Tese - Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese - Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese - Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese - Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese - Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese - Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese - Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese - Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

20ª Tese - Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras "perdão plenário de todas as penas" que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

21ª Tese - Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22ª Tese - Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese - Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24ª Tese - Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese - Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese - O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese - Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese - E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

30ª Tese - Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese - Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese - Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese - Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese - Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35ª Tese - Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese - Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese - Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese - Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39ª Tese - É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese - O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41ª Tese - É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44ª Tese - Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

46ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

48ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

52º Tese - Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53ª Tese - São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55ª Tese - A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese - Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

57ª Tese - Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese - Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59ª Tese - São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese - Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese - Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62ª Tese - O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese - Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese - Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese - Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese - Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese - As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese - Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese - Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.

70ª Tese - Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71ª Tese - Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72ª Tese - Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73ª Tese - Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese - Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75ª Tese - Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

76ª Tese - Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

77ª Tese - Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

78ª Tese - Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho. as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

79ª Tese - Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª Tese - Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81ª Tese - Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82ª Tese - Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssirno motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

83ª Tese - Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84ª Tese - Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

85ª Tese - Ainda: Por que os cânones de penitência, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

86ª Tese - Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

87ª Tese - Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

88ª Tese - Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já o faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89ª Tese - Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

90ª Tese - Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese - Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese - Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

93ª Tese - Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94ª Tese - Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95ª Tese - E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Venezuela aprova nova "lei de Educação socialista" que elimina ensino religioso e limita liberdade de expressão

A Assembleia Nacional venezuelana aprovou na noite desta quinta-feira dia 13/08/2009, em segunda votação e por unanimidade a lei sobre educação socialista, que impõe uma doutrinação nacional a todo o ensino público e privado do país.

A Aprovação da lei tem gerado muitas manifestaçãoes contrárias nos dias que antecedram a votação, pois o governo agridiu vários princípios democráticos, cerceando a liberdade de expressão e banindo das escolas quaisquer manifestação religiosa e a liberdade de cátedra dos professores.

A lei inclui um artigo que limitaria o direito à liberdade de expressão, o que causou protesto de jornalistas na tarde da quinta-feira.
O texto do projeto de lei diz que "os que dirigem os meios de comunicação estão obrigados a dar sua cooperação na tarefa educativa e a ajustar a sua programação para o sucesso dos fins e objetivos consagrados na Constituição e na lei".

A nova lei cria ainda o conceito de educação socialista, além de estabelecer cotas para estudantes indicados pelo governo Chávez, eliminar o ensino religioso mesmo em escolas privadas e reduzir a liberdade de cátedra dos professores universitários. A lei foi aprovada após uma sessão de quase dez horas na Assembleia, onde o governo de Hugo Chávez tem ampla maioria.


Os críticos afirmam que nova lei dá um papel preponderante ao Ministério da Educação e prevê um doutrinamento dos estudantes, em acordo com os ideais do atual governo, que apregoa um "socialismo do século 21". O ministro da Educação, Héctor Navarro, afirma que a lei é "necessária para garantir a igualdade de oportunidades" no país.

A aprovação acontece na ausência da pequena bancada da oposição, que abandonou o Parlamento para manifestar repúdio pelo debate em curso.
Os seis parlamentares opositores afirmaram que pretendem convocar um referendo para saber se o povo venezuelano aprova a lei.

O projeto de lei sobre educação foi aprovado em primeira votação em 2001 e voltou a ser apresentado ao Congresso com modificações na semana passada para ser ratificado em segundo turno.
Os críticos destacam que o projeto não é o mesmo aprovado em 2001 e que por isto o processo deveria recomeçar do zero.
"Reiteramos o repúdio aos artigos que dão poderes onipotentes ao Estado. Sabemos que o governo vai assumir este poder e vai tornar mais difícil o processo educativo", reclamou a deputada opositora Pastora Medina.

Durante a quinta-feira, pelo menos 12 jornalistas venezuelanos, que protestavam contra o projeto de lei da Educação, foram agredidos por militantes chavistas em Caracas.

Um grupo de 30 funcionários da Rede Capriles, que reúne vários jornais, foi atacado por "simpatizantes do governo" do presidente Hugo Chávez.
Os jornalistas da Capriles protestavam "de forma pacífica, com cartazes", e o violento ataque deixou oito feridos leves, que foram levados a centros de saúde, destacaram as fontes.

Eleazar Díaz Rangel, diretor do jornal Últimas Notícias, que integra a Rede Capriles, condenou "este ato selvagem" e pediu "o fim de condutas desta natureza", segundo a Unión Radio.
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Durante todo o dia, centenas de estudantes e professores foram reprimidos pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo para impedir sua chegada ao Parlamento.
fonte: folha on line
adaptado por Zenóbio Fonseca

sábado, 15 de agosto de 2009

STF versus NAÇÃO BRASILEIRA: a quem pertence o Poder da Constituição? (Parte III)

Dr. Uziel Santana

"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Art. 1º, parágrafo único, Constituição Federal)"

Neste terceiro ensaio a respeito de quem é o dominus do Poder Constituinte, queremos, agora, levar o leitor a atentar e refletir sobre algumas teses interessantes que permeiam o imaginário institucional e a ratio decidendi dos eminentes ministros da nossa Suprema Corte. Tais teses têm uma importância pragmática e não podem deixar de serem percebidas e devidamente analisadas, tendo em vista que estas têm sido utilizadas de maneira quase recorrente nos julgamentos que ocorrem no âmbito do STF. Estamos a falar das seguintes proposições téticas: a Teoria da Mutação Constitucional, a Teoria da Interpretação Conforme, a Teoria do Silêncio Eloqüente e a Teoria do Stare Decisis.

Nos textos passados, nós assentimos, peremptoriamente, que a Constituição Federal não deixa dúvidas a respeito de "a quem pertence o Poder Constituinte" (à Nação Brasileira). Demonstramos, também, que, ao STF, cabe, estritamente, ser o guardião dos princípios e preceitos fundamentais que a Nação definiu no texto constitucional, sem ir além, aquém ou fora dos parâmetros valorativos estabelecidos. De modo que, o STF não pode incorrer no fenômeno sociológico que denominamos de judicialização
do Poder Constituinte Originário. Numa síntese "Ayresbritiana", diríamos: o STF não pode dispor sobre o Poder que sobre ele dispõe: o Poder Constituinte Originário, o Poder do Povo.

Pois bem. Neste ponto, tendo em vista o que assentimos acima, para que o STF não cometa tais equívocos de ordem pragmática e semântica, precisamos desconstituir – ou, ao menos, mitigar –, da mens judicante dos eminentes ministros da egrégia Corte, a Teoria da Mutação Constitucional. E no que consiste tal teoria? Segundo esta – tese da Profª Anna Cândida da Cunha Ferraz, da USP – as constituições nacionais poderiam sofrer, ao longo dos anos, alterações significativas em seu conteúdo semântico sem a necessidade de uma modificação formal (reforma constitucional: seja por proposta de emenda constitucional ou de revisão constitucional) do texto dos seus dispositivos constitutivos. Em outras palavras, de tempos em tempos, o âmbito de significação das palavras contidas no texto constitucional poderia ser alterado ao sabor dos intérpretes sem a necessidade de usar os meios democráticos estabelecidos pelo Povo para o processo de alteração constitucional. Tal tese é – assim como a teoria de Peter Häberle, "a sociedade aberta dos intérpretes da Constituição", analisada no artigo anterior – uma verdadeira aberração anárquica e um atentado violento ao Estado Democrático de Direito. Por quê? Acho que fica claro: a teoria assente que é possível alterar o sentido do texto constitucional por uma via muito simples e direta – que não exige órgão e quorum qualificados, como no caso das propostas de emendas constitucionais – sem que para isso o Povo, o dominus do Poder Constituinte, possa ser ouvido. Isso soa antidemocrático e ilegítimo porque o Povo, pela Assembléia Nacional Constituinte, estabeleceu os parâmetros principiológicos do processo de interpretação e integração das normas constitucionais de tal modo que, sintática, semântica e pragmaticamente toda e qualquer interpretação consecutada pela Suprema Corte não pode ir de encontro a essas balizas valorativas.

Do mesmo modo – e agora falando a respeito da Teoria da Interpretação Conforme, nascida na Suprema Corte Americana (principle: in the harmony with Constitution) e difundida em todo o mundo pela Suprema Corte Alemã (Verfassungskonforme Auslegung) – no processo de interpretação conforme a Constituição, o nosso STF tem que tomar em consideração uma premissa fundamental da aplicação desta teoria, qual seja, no dizer do importante constitucionalista português Canotilho: "não se aceita a interpretação conforme a Constituição quando, pelo processo de hermenêutica, se obtiver uma regra nova e distinta daquela objetivada pelo legislador e com ela contraditória, seja em seu sentido literal ou objetivo. Deve-se, portanto, afastar qualquer interpretação em contradição com os objetivos pretendidos pelo legislador". Em outras palavras, como já assentimos, o intérprete, no caso o STF, não pode atuar como legislador positivo, isto é, não pode dispor – ao seu sentir – sobre o poder que sobre ele dispõe. Essa, indubitavelmente, é a premissa fundamental e estruturante do raciocínio teorético da técnica da interpretação conforme. É preciso observar – para a consecução da mesma – a consciência nacional forjada na Assembléia Nacional Constituinte. Mais ainda: é preciso observar a mens legis, a ratio legis e a ocasio legis, como afirmamos no ensaio anterior.

Ademais, a propósito do que temos escrito nesta série de artigos – que têm como pano de fundo, as questões emblemáticas de ordem moral que foram e estão sendo objeto de julgamento no STF (células-tronco, aborto, união homossexual e etc.) – é de extrema relevância a tomada em consideração, no texto constitucional, da Teoria do Silêncio Eloqüente. Trata-se, também, de uma tese construída no âmbito da Suprema Corte Alemã (o princípio do "beregtes schweigen"). Segundo esta, o silêncio da Constituição a respeito de certos temas não é fruto do esquecimento ou do erro da Assembléia Nacional Constituinte, mas, ao contrário disso, trata-se de um silêncio intencional, um silêncio eloqüente através do qual o dominus do Poder Constituinte deixa claro: "sobre isso não temos o que falar ainda, porque precisamos continuar refletindo melhor". Então, por exemplo, quando a Constituição não consentiu de modo claro e expresso no seu texto com a possibilidade de se considerar como entidade familiar a união de pessoas do mesmo sexo, fê-lo de modo consciente e imperativo. É como se o Povo dissesse: "Fi-lo porque qui-lo" (usando a famosa frase de Jânio Quadros, mesmo com o erro da colocação pronominal). Assim, este silêncio é categórico e vinculante para qualquer interpretação a ser consecutada pelo STF. Fazer de modo diferente não é democrático, porque, no jogo da democracia, o silêncio do Povo quer dizer muita coisa para os poderes constituídos da República.

Por fim, no mesmo sentido da Teoria do Silêncio Eloqüente, os nossos eminentes ministros, ao julgarem tais demandas constitucionais que implicam na afirmação dos valores morais fundamentais da consciência nacional – o que temos denominado aqui de mores maiorum civitatis, isto é, aquilo que a sociedade classifica, em termos comportamentais, como o seu "belo", o seu "bem" e a sua "verdade" – não podem deixar, também, de tomar em consideração o perfeito e sábio entendimento do brocardo romanístico que deu origem à Teoria inglesa do
Stare Decisis, o stare decisis et non quieta movere (ficar como foi decidido e não mover o que está em repouso). Tal teoria afirma que os tribunais em geral devem dar o devido peso e valor ao precedente julgado, de forma que uma questão de direito já estabelecida deve ser seguida sem reconsideração, desde que a decisão anterior seja impositiva, sobretudo, em questões que digam respeito aos valores fundantes de uma sociedade democrática. Exatamente por isso, esta é uma teoria muito importante para o Estado Democrático de Direito. Porque, em assim sendo, o que é Direito, no plano jurídico, fáctico e do imaginário social, não se altera de modo fortuito, constante e desarrazoado ao (des)sabor de inclinações pessoais ou de pequenos grupos que se colocam como opositores da maioria. Há um espaço para aqueles, mas não o principal espaço. Essa é a regra basilar da democracia. Assim, mutatis mutandis, usando a teoria para entender a formação e aplicação do texto constitucional, o que o Povo, representado na Assembléia Nacional Constituinte, decidiu (stare decisis), está decidido, de modo que a sua soberana vontade não pode ser (de)movida (et non quieta movere) pelo Tribunal. Só o pode ser pelos próprios mecanismos institucionais de alteração dos fenômenos políticos. É assim que estabelece a nossa Constituição: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Destarte, como ilações lógicas e necessárias temos: a) qualquer mutação constitucional deve ser empreendida pela via democrática aprovada pelo Povo e esculpida na Constituição; b) qualquer interpretação a ser consecutada só o é "conforme" se for conforme os valores morais estabelecidos pelo Povo na Constituição; c) se o Povo, através da Constituição, silenciou-se a respeito de determinado tema, o intérprete deve se limitar a com ele, o Povo, nada também dizer; d) finalmente, o que foi decidido, o que foi escrito, é o que deve reger o mundo social e as relações dos seus atores. Nisso tudo, consiste a Soberania Popular e o Governo do Povo, pelo Povo e para o Povo.

Fonte: Uziel Santana

Divulgação: www.juliosevero.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Diretora da JOCUM no Brasil ataca ativismo cristão contra o PLC 122 e o “casamento” homossexual

Bráulia Ribeiro acusa mobilização cristã contra a agenda gay de “cruzada de ódio e preconceito”

Por Julio Severo

O ano é 1932. As igrejas evangélicas, altamente moralistas, eram marcadas por santidade em seus comportamentos e uma grande preocupação com um testemunho ético e irrepreensível. Havia também um interesse genuíno na pureza do Evangelho e em sacrifícios pela sua divulgação a um mundo perdido.

Nada mais justo do que transformar tal interesse em ação. Já que o Evangelho oferece esperança ao pecador, décadas antes dos primeiros projetos de lei anti-“homofobia”, as igrejas assumiram a dianteira profética, lançando na década de 1930 campanhas para combater o preconceito aos homossexuais.

A iniciativa incluía propagandas em trens, carroças e ruas, educando a população atônita — que não estava entendendo absolutamente nada — que aqueles que praticam atos homossexuais são normais e merecem respeito…

Como resultado direto dessas pressões pioneiras dos pastores evangélicos da década de 1930, hoje os homossexuais não correm risco nenhum de serem agredidos ou mortos em zonas de drogas e prostituição às 2h da madrugada. Escoltas policiais especiais acompanham os homossexuais antes e depois de seus encontros sexuais, garantindo proteção e segurança para suas atividades. Graças aos evangélicos, o sexo seguro homossexual se tornou realidade.

Esse exótico acontecimento imaginário deveria ter sido realidade, conforme um artigo recente de Bráulia Ribeiro, que sugeriu que as campanhas contra a homofobia deveriam ter sido iniciadas não pelos ativistas homossexuais, nem pelo governo Lula, mas pelos cristãos.

Os cristãos da década de 1932 ficariam atônitos e assustados se lhes dissessem que a sociedade do século XXI estaria mergulhada numa obsessão homossexual — sem mencionar que eles ficariam chocados com a idéia de que eles em sua época deveriam ter lançado campanhas para a aceitação social dos homossexuais como indivíduos normais.

As igrejas sabem ser pioneiras em campanhas positivas. Décadas antes das primeiras campanhas sociais de combate ao fumo, muitas igrejas já estavam alertando. Esses alertas eram tratados pelo mundo secular como fanatismo, mas hoje esse mesmo mundo está tratando tal vício do mesmo jeito que as igrejas o tratavam: como risco para a saúde.

Creio que as igrejas agiram certo no passado, tratando o homossexualismo como abominação, um pecado grave a ser evitado, mas as declarações de Bráulia Ribeiro deixam dúvidas e confusão, ao não saber fazer a distinção entre o papel do Evangelho e o papel do cristão como cidadão numa sociedade que precisa não somente do Evangelho, mas de leis boas para governar.

Bráulia Ribeiro fala, Julio Severo responde

A seguir, as declarações de Bráulia Ribeiro, em seu artigo “Não quero o direito de ser homofóbica”, publicado em algumas revistas e sites esquerdistas.

Bráulia Ribeiro: “Não é nosso papel legislar moral”.

Resposta de Julio Severo: “Não é nosso papel legislar moral”. Isto é, os cristãos devem simplesmente cruzar os braços e ficar em silêncio enquanto os maus legislam todo tipo de imoralidade. É quase possível ouvir o próprio diabo falando aos pastores e políticos evangélicos: “Escutem aqui, cristãos! Estou legislando imoralidade por toda a sociedade e não quero vocês perturbando minhas atividades. Por enquanto, vocês têm liberdade de legislar sua moralidade apenas dentro de suas igrejas”. Você pode encontrar o eco exato dessas palavras entres as feministas, que dizem: “O Estado é laico. Vocês cristãos não podem promover o valor da vida na sociedade. Só nós, que não somos cristãos, temos o direito de legislar o aborto e o que quisermos. Fiquem de fora. Este terreno — a sociedade — é só nosso”. As palavras dos ativistas homossexuais não são diferentes: “O Estado é laico. Só nós podemos fazer o que queremos. Vocês cristãos legislem sua moralidade apenas dentro de suas igrejas”. De vez em quando, aparece uma voz cristã para dar-lhes apoio. Tais são as vozes das Bráulias.

O argumento de que “Não é nosso papel legislar moral” também será usado contra os cristãos que lutarem contra a pedofilia. Na Holanda, que foi o primeiro país a legitimar o “casamento” homossexual, já há oficialmente um partido pedófilo composto de membros homossexuais e por causa das pressões do ativismo homossexual a idade de consentimento sexual foi abaixada. De acordo com Bráulia, se os ativistas homossexuais quiserem as mesmas “conquistas” no Brasil, não poderemos “legislar moral” para frustrá-los.

Bráulia Ribeiro: “Deus não presumiu que por haver um ideal, estaríamos todos compelidos a ele”.

Resposta de Julio Severo: O ideal, para a sexualidade, é casamento entre um homem e uma mulher, como reconheceu Bráulia. Mas, como ela igualmente reconheceu, muitos se desviam do ideal, fazendo escolhas erradas. Esses desvios incluem: homens que preferem outros homens, homens que preferem meninos, homens que estupram mulheres, homens que estupram meninas, etc. Bráulia sugere que não deve haver nenhuma lei para forçar o ideal. Então, se não pode haver leis certas para impor o ideal, faz sentido permitir passivamente a imposição na sociedade de leis erradas que protegem o desvio do ideal?

Bráulia Ribeiro:A Bíblia dá mais ênfase ao adultério, do que às perversões, defendendo os limites da família com veemência. Nós cristãos não damos ao adultério a mesma importância, justificamos, entendemos, e até ‘defendemos’ adultérios em nome da felicidade pessoal e em nome do mero hedonismo que tempera nossa religião com o mesmo sabor do mundo”.

Resposta de Julio Severo: Deus odeia o adultério, mas quando ele destruiu Sodoma e Gomorra, foi por causa do homossexualismo. Além disso, não vemos paradas do orgulho adúltero, não há grupos de adúlteros por todo o Brasil fazendo campanhas para as câmaras municipais, as assembléias legislativas e o Congresso Nacional aprovarem leis contra a “adulterofobia”, não há uma campanha do governo federal “Brasil Sem Adulterofobia”, etc. As escolas não recebem ordens do governo para elogiar o adultério, ensinando as crianças a tratá-lo como uma opção natural.

Além disso, as igrejas que pregam contra o adultério não são ameaçadas por ações legais e pelo Ministério Público Federal. Mas se você pregar contra o homossexualismo, as ameaças virão.

A mídia, as escolas e o governo exaltam muito mais o homossexualismo hoje do que o adultério. Embora as igrejas devam condenar ambos os pecados, temos de reconhecer a realidade de nossos tempos. Há 50 anos, as igrejas condenavam abertamente o adultério e não falavam sobre homossexualidade, porque a homossexualidade não era uma obsessão social. Hoje, o tema homossexual é obrigatório em toda a sociedade. Como não falar sobre o que todo o Brasil está falando?

Bráulia Ribeiro:Numa sociedade que vive princípios bíblicos esta responsabilidade [de legitimar casamentos] é da família. É no domínio das famílias que se legitima, e fortalece a união de dois jovens, a formação de uma nova família. Vemos casamentos na Bíblia, mas nem um casamento feito ou legitimado pela igreja ou pelo estado”.

Resposta de Julio Severo: Concordo plenamente com a Bráulia.

Bráulia Ribeiro: “Se o Estado acha por bem legitimar a união homossexual e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos”.

Resposta de Julio Severo: Ela poderia também ter dito:

“Se o Estado acha por bem legitimar o aborto e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos”.

“Se o Estado acha por bem legitimar o infanticídio e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos”.

“Se o Estado acha por bem legitimar a pedofilia e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos”.

Se a Bráulia tivesse vivido na Alemanha nazista, o argumento seria:

“Se o Estado acha por bem legitimar a perseguição aos judeus e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos”.

Hitler foi eleito democraticamente, e a maioria da população da Alemanha o apoiava. Ele introduziu muitas leis malignas na Alemanha majoritariamente e nominalmente cristã. A maioria cristã, tal qual Bráulia, pensava: “Não há nada que podemos fazer como cristãos”.

Entretanto, dois cristãos não pensavam como ela. O evangélico Dietrich Bonhoeffer e o católico Claus von Stauffenberg faziam parte de grupos pequenos que queriam eliminar Hitler. Hoje eles são famosos e admirados, mas em sua própria época eles sofriam o desprezo do governo do seu próprio país e o desprezo da maioria dos cristãos alemães.

Por pura coincidência, o homem que Stauffenberg queria eliminar era homossexual. Aliás, a cúpula do governo nazista era composta de violentos fascistas homossexuais.

Se os cristãos não devem fazer nada quando o Estado acha por bem legitimar o mal e a população do país concorda, por que então Stauffenberg e Bonhoeffer fizeram?

Bráulia Ribeiro: “Misturar Deus e estado foi um erro na época de Constantino e continua sendo um erro hoje”.

Resposta de Julio Severo: Os secularistas e o governo Lula certamente estão dizendo “Amém” à declaração de Bráulia. Tudo o que os humanistas, os socialistas, os ativistas gays, as feministas e os antropólogos querem é uma sociedade onde as leis e os políticos “não misturem Deus e Estado”.

O erro de Constantino não foi misturar Deus e Estado. O erro dele foi obrigar a conversão ao Cristianismo de todos os habitantes do Império Romano.

Misturar Deus e Estado dá certo. O rei Davi fez isso e deu certo. Os Estados Unidos fizeram isso no começo, e deu certo.

Aliás, Romanos 13 instrui claramente que as autoridades políticas têm o chamado de servir a Deus, de serem ministros de Deus. Como servir a Deus como político quando os socialistas e agora até as Bráulias exigem separação entre Deus e Estado?

Que tal, dona Bráulia, exigir separação entre o Estado e a agenda gay, a agenda feminista, a agenda do aborto e a agenda do infanticídio indígena?

Bráulia Ribeiro:Um estado justo e que reflete os valores de Deus vai afirmar para cada indivíduo o direito às suas escolhas individuais desde que estas escolhas não firam o direito de outros”.

Resposta de Julio Severo: A realidade de que a maioria dos homossexuais sofreu na infância violência sexual de um homem adulto mostra que alguém fez uma escolha que prejudicou um menino. Como pode Bráulia aplicar direito à escolha diante de tal realidade brutal? Ela quer que todos vejam a brutalidade do infanticídio indígena. E as outras brutalidades não contam?

Bráulia Ribeiro:Muitos evangélicos estão numa expectativa de uma espécie de ‘xaria’ cristã onde a moralidade cristã seria reforçada pelo estado. Além de ser injusta e absurda esta ‘xaria’ não mudaria o coração dos homens que só é definitivamente mudado de dentro pra fora”.

Resposta de Julio Severo: A mobilização cristã contra a agenda gay tem sido tímida, pois cada passo cristão é impiedosamente atacado pela mídia. E agora, fazendo coro aos ataques da mídia, Bráulia levanta a acusação absurda de uma xaria cristã, enquanto a sociedade brasileira está sendo engolida por uma genuína xaria socialista e está prestes a experimentar uma xaria homossexual.

Leis não existem para mudar o coração das pessoas. Nenhuma lei contra assassinatos e estupros muda o coração das pessoas. As leis servem apenas para controlar comportamentos prejudiciais. Se não podemos criar leis porque elas não convertem, será então que as leis contra assassinato e estupro são inúteis pelo fato de que nunca converteram ninguém?

Bráulia Ribeiro: “Temos o dever cristão de lutar contra a homofobia… A voz anti-homofobia deveria ter sido ouvida primeiro da nossa boca… Se tivéssemos liderado esta luta é provável que não teríamos que viver hoje o desconforto da imposição da agenda homossexual como estamos vivendo. Teríamos nos aliado a eles pelo amor de Cristo, e não nos levantado contra eles numa cruzada de ódio e preconceito...”

Resposta de Julio Severo: As escolas públicas estão doutrinando as crianças no homossexualismo? A culpa, segundo Bráulia, é das igrejas cristãs, que não foram pioneiras na luta contra a homofobia.

Antes, durante e depois do Cristianismo, meninos eram abusados por homossexuais? A culpa, segundo Bráulia, é das igrejas cristãs, que não foram pioneiras na luta contra a homofobia.

Os grupos ativistas homossexuais estão distorcendo estatísticas de crimes homossexuais para aprovarem leis especiais de proteção ao homossexualismo? A culpa, segundo Bráulia, é das igrejas cristãs, que não foram pioneiras na luta contra a homofobia.

Os cristãos fiéis a Deus e à Bíblia e pessoas de boa vontade estão sob a ameaça de serem presos se criticarem o comportamento homossexual? A culpa, segundo Bráulia, é das igrejas cristãs, que não foram pioneiras na luta contra a homofobia.

Tenho ouvido freqüentemente os ativistas homossexuais acusando os cristãos de ódio e preconceito, somente porque os cristãos não aceitam a ditadura gay. Você tem a obrigação de aceitar essa ditadura. Se não aceitar, você é automaticamente rotulado de fanático cheio de “ódio e preconceito”.

Aliás, a própria FUNAI só vê “ódio e preconceito” nos esforços da JOCUM de salvar crianças indígenas. Finalmente, a Bráulia achou em quem descontar o que a JOCUM vem sofrendo no Brasil.

A diferença entre o pobre Julio Severo e a rica JOCUM

O mundo secular tem uma visão bem clara sobre o papel dos cristãos na sociedade:

Aborto. O cristão deve respeitar o aborto como direito humano da mulher,
pois o Estado é laico e o que deve predominar é a vontade do Estado laico.
Infanticídio indígena.

O cristão deve respeitar a cultura indígena. A prática de assassinato de
crianças é parte da cultura indígena e é rejeitada apenas por índios influenciados e infectados pela “cultura” cristã.


Por falar em infanticídio indígena, Bráulia tem uma opinião sobre essa questão. Como diretora da JOCUM, Bráulia se queixa de que a JOCUM é vítima de perseguição e falsas acusações.

O Ministério Público Federal e o governo Lula classificam como crime as ações da JOCUM para salvar crianças indígenas de assassinato.

De forma semelhante, o Ministério Público Federal e o governo Lula classificam de crime minha luta contra a agenda gay.

Sabe qual é a diferença? Dou todo o meu apoio à difícil missão da JOCUM. Dou meu apoio de coração. Aliás, o vídeo da JOCUM que denuncia o assassinato de crianças indígenas foi postado no meu blog, onde mais de 60 mil pessoas assistiram. Tenho lutado em muitas outras frentes de batalhas necessários. Estou envolvido na luta direta contra o aborto há mais de 20 anos, como me são testemunhas meus amigos de mais de duas décadas Dep. Talmir Rodrigues e Dr. Humberto L. Vieira, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família.

Pela graça de Deus, a JOCUM tem o apoio de poderosas instituições cristãs nacionais e internacionais em sua honrosa luta contra o infanticídio indígena.

No entanto, na minha luta contra a agenda gay, recebo desestímulos, acusações e ameaças.

Há uma diferença abismal entre Bráulia e alguém como eu, que luta contra a agenda gay — e luta também o infanticídio indígena. Bráulia tem o privilégio de ser diretora de uma instituição de grande poder financeiro e não tem dificuldade nenhuma de ter uma boa acomodação em qualquer lugar do mundo, pois a JOCUM está presente em muitos países.

Na minha luta contra a agenda gay, não tenho o suporte de nenhuma entidade tão poderosa quanto a JOCUM. Estou literalmente peregrinando entre as nações, sem ter um lugar certo onde ficar, pois não conto com nenhum grupo que tenha presença em muitos países. Ao contrário de Bráulia, que vive pela e da JOCUM, eu só posso viver pela fé. Mais nada.

Interesses institucionais versus interesses espirituais
Ao adotar a posição esquizofrênica de minimizar a gravidade da agenda homossexual, do sacrifício sexual de meninos e o valor dos esforços de irmãos que lutam contra essa ameaça, e respeitando exclusivamente conveniências e interesses particulares, Bráulia age como um cristão institucional, como uma pessoa institucional, que em tudo leva em consideração os interesses da instituição para a qual trabalha, sacrificando tudo o mais.

Não é errado trabalhar para uma instituição. Conheço a JOCUM desde 1984, e tive muitos contatos nacionais e internacionais com pessoas da JOCUM. Eu li a biografia de Loren Cunningham, o fundador da JOCUM nos EUA, e gostei muito. Eu louvei e louvo a Deus pela vida dele. Mesmo assim, reconheço que com o tempo as instituições religiosas se corrompem. Vão se corrompendo aos poucos até alcançarem a estatura de uma inutilidade e imbecilidade distantes de sua própria fundação. A Universidade de Harvard, fundada séculos atrás para formar pastores evangélicos, é um excelente exemplo. Está tão corrompida que hoje forma efetivamente ativistas anticristãos. A JOCUM possui importantes instituições, inclusive uma grande universidade no Havaí, e tal grandeza humana exige cuidado para evitar os primeiros passos para a inutilidade e imbecilidade.

Durante toda a história, a maior resistência ao mover do Espírito Santo veio de cristãos institucionais, isto é, cristãos ligados a instituições que, embora fundadas com princípios cristãos, se endureceram numa visão fechada, resistindo às ações de Deus.

Não acho que a igreja deveria ter se antecipado, décadas atrás, para combater o preconceito contra o assassinato de crianças indígenas ou contra o homossexualismo ou contra o aborto.

O infanticídio indígena me preocupa, pois envolve o sacrifício de crianças. O aborto me preocupa, pois envolve o sacrifício de crianças. O avanço homossexual me preocupa, pois envolve o sacrifício sexual de meninos. A maioria absoluta dos homossexuais sofreu experiências de abuso sexual. E enquanto a sociedade é pressionada por militantes gays a dar atenção especial a raros casos de homossexuais assassinados — muitos dos quais envolvem motivação passional ou até mesmo comportamentos de risco de homossexuais que trafegam em perigosíssimas zonas de drogas e prostituição a altas horas da madrugada —, milhares de meninos são estuprados e até mortos sem que a sociedade e as Bráulias se lembrem de que as crianças merecem proteção contra um comportamento sexual reconhecidamente ameaçador.

Bráulia Ribeiro e o coro esquerdista

O chamado de Bráulia “Temos o dever cristão de lutar contra a homofobia… A voz anti-homofobia deveria ter sido ouvida primeiro da nossa boca…” vem sendo ecoado por toda a esquerda cristã. Não por coincidência, o artigo dela foi publicado na revista Eclésia, sucessora direta da notoriamente esquerdista revista Vinde, fundada por Caio Fábio, responsável pela aproximação dos líderes evangélicos a Lula muitos anos atrás. A revista Vinde, que se ocupava em doutrinar o público com uma visão esquerdista, nunca poupou esforços para neutralizar ações cristãs que não obedeçam aos ditames da Teologia da Libertação.

O artigo dela foi também publicado no site do FENASP, fundado pelo Bispo Robson Rodovalho, político socialista que apoiou Lula publicamente nas duas eleições presidenciais.

Não por coincidência também, Bráulia é articulista freqüente na revista esquerdista Ultimato, tendo um livro publicado pela Editora Ultimato. O radicalismo ideológico da Ultimato jamais permitiria envolvimento ou vínculo tão forte se Bráulia não tivesse em pontos importantes os mesmos interesses. A voz de Bráulia na questão da homofobia é a voz da esquerda cristã mundial.

A esquerda — seja evangélica ou anticristã — faz duas coisas: promove o avanço de sua ideologia e rebaixa toda autêntica visão e mobilização cristã que não está de acordo com a vontade de Karl Marx.

Enquanto muçulmanos, socialistas e ativistas gays impõem uma xaria, Bráulia ataca o ativismo cristão

Quando o cristão tenta ajudar a proteger as crianças indígenas de assassinatos, os sacerdotes secularistas aparecem com acusações de que estamos impondo a cultura cristã, etc. Chamam-nos de nazistas, etc. Só faltam dizer que queremos impor uma xaria cristã — um termo muçulmano que Bráulia usou contra os cristãos que lutam contra a agenda gay. O termo dela servirá muito bem no repertório dos que atacam todo tipo de mobilização cristã na sociedade.

Se os ventos de interesses ou objetivos institucionais tivessem soprado em direção contrária, Bráulia poderia possivelmente ter agido de forma inversa, dando preferência ao tema homossexual e ao sacrifício sexual de meninos, e igualando os cristãos contrários ao infanticídio indígena com muçulmanos que querem impor a xaria.

Para seu próprio interesse, Bráulia não usou o termo xaria na questão do infanticídio indígena, embora os inimigos da JOCUM essencialmente estejam dizendo que a JOCUM está impondo uma xaria sobre a “cultura indígena”. O que Bráulia fará para aplacar a ira dos inimigos da JOCUM? “Ei, secularistas, antropólogos e governo Lula! Eu também quero mostrar que sou aliada de vocês em alguns pontos. Vou fazer isso para ganhar a simpatia e amizade de vocês! Vocês são contra a homofobia? Eu também sou! E aí? Somos amigos agora? Estou sendo boazinha com vocês na questão da homofobia. Agora sejam bonzinhos comigo na questão do infanticídio indígena”.

Como a JOCUM é tratada por seus inimigos, assim Bráulia tratou a oposição cristã à agenda gay — talvez como concessão e barganha.

Mas por que ser amiga do mundo só pela metade? Por que ser dura numa questão e mole em outra? Para que ser morna para agradar a todos?

Ela fez concessões até na área de música, adotando a prática de cantar música secular em reuniões evangélicas da JOCUM. Se a meta é agradar, fazer concessões é uma obrigação.

O genuíno ativismo cristão deve combater toda agenda maligna

Por causa do vídeo “Hakani” da JOCUM sobre infanticídio indígena e por causa da minha amiga Dra. Damares Alves, eu próprio me envolvi na luta contra o assassinato de crianças indígenas. Tive o privilégio de conhecer pessoalmente a Hakani, a Bráulia Ribeiro e o Dr. Wilson Bonfim, que muito lutam contra o infanticídio indígena. A primeira vez que me viu, a menina Hakani disse para sua mãe Márcia: “Olha ali Jesus Cristo, mãe!” Só não luto de forma muito mais intensa porque, graças a Deus, há muitos grupos e cristãos engajados nessa luta.

Na questão homossexual, quando comecei minha campanha de conscientização anos atrás por meio do meu livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia, a maioria absoluta dos cristãos tinha pavor de confrontar a agenda gay. Hoje, nem tanto, mas ainda persistem desinformações, timidez e até medo. O motivo é simples: lutar contra a agenda gay é tão arriscado quanto lutar contra o infanticídio indígena, pois a mídia liberal e esquerdista não dá valor a quem batalha nessas duas frentes. Minha missão é continuar esclarecendo.

A questão do infanticídio indígena não afeta o Brasil inteiro, mas apenas as tribos indígenas. Contudo, a questão homossexual afeta o Brasil de Norte a Sul. Afeta pobres e ricos. Afeta ateus e cristãos. Homossexuais ricos e pobres, nascidos em lares cristãos ou ateus, confessam experiências de abuso. Homens estuprando meninos não é uma realidade restrita a tribos. É uma realidade presente em toda a sociedade brasileira. Por isso, a minha luta é ajudar o Brasil a evitar o destino de Sodoma e Gomorra.

Contudo, nossa luta contra a agenda gay, a agenda do aborto e a agenda socialista e secularista que protege e acoberta o infanticídio indígena exige união, pois uma “casa dividida contra si não subsistirá”. E essa casa tem estado muito dividida, com líderes cristãos que não denunciam a agenda gay e as campanhas pró-homossexualismo do governo porque eles mesmos têm alianças com o governo Lula. E agora por que a JOCUM do Brasil está se juntando ao coro anti-“homofobia”? A JOCUM do Brasil está querendo aliviar o peso de sua incômoda situação “cultural” diante do governo Lula?

“Não quero o direito de ser contra o mal na sociedade”

“Não quero o direito de ser homofóbica” é nada mais do que uma grande apelação dirigida às forças culturais que hoje hostilizam a JOCUM no Brasil por causa do filme Hakani. “Homofóbico” é um adjetivo politicamente carregado cujo significado é: pessoa que odeia homossexuais.

Para os ativistas homossexuais, todo pastor que prega contra o homossexualismo é “homofóbico”.

Para os ativistas homossexuais, todo pai ou mãe que protege os filhos do homossexualismo é “homofóbico”.

Para os ativistas homossexuais, todo cidadão que luta contra a agenda gay é “homofóbica”.

Para os ativistas homossexuais, todo profissional médico que disser que há cura para a homossexualidade é “homofóbico”.

Para os ativistas homossexuais, todo ex-homossexual que der testemunho de que é possível sair da homossexualidade é “homofóbico”.

“Homofóbico” é um adjetivo usado rotineiramente pelas forças culturais que hostilizam a oposição cristã à agenda gay. Em sua ânsia de aplacar essas forças que também odeiam a JOCUM, Bráulia se rebaixou fazendo uso do mesmo termo de ódio que eles usam para jogar os cristãos aos leões.

Como sair da cova dos leões sem jogar outros cristãos ali?

Daniel saiu da cova dos leões porque confiou em Deus. Mas alguns cristãos hoje querem sair da cova dos leões jogando outros cristãos ali.

“Não quero o direito de ser homofóbica” é um título que agrada aos ouvidos dos secularistas e do governo Lula. Mas se Bráulia quiser continuar agradando, ela precisará escrever também “Não quero o direito de ser contra a cultura indígena”, pois por mais que ela ou eu tente explicar, tudo o que os secularistas e o governo Lula conseguem ver no infanticídio indígena é “cultura indígena”. Nada mais.

Se para ganhar o apoio e a simpatia da mídia, nós que lutamos contra a agenda gay tivermos de jogar na cova dos leões nossos irmãos que lutam contra o infanticídio indígena, esse é um preço que não quero pagar.

Pena que em sua luta louvável contra o infanticídio indígena, Bráulia tenha escolhido pagar tal preço com a cabeça dos que sacrificialmente lutam contra a agenda gay.