terça-feira, 30 de setembro de 2008

ABGLT acusa Crivella de atos de homofobia e lança manifesto contra sua candidatura no Rio

RJ - A ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) lançou nesta segunda-feira (29) um manifesto contra a eleição do candidato à Prefeitura do Rio, Marcelo Crivella (PRB). No documento, Crivella é acusado de fazer pronunciamentos homofóbicos (atos de aversão aos homossexuais) durante sua vida política.

- "Crivella se colocou sistematicamente contra a criminalização da homofobia. A confirmação disso é a manifestação que ele convocou no Congresso Nacional no primeiro semestre deste ano, reunindo cerca de 200 evangélicos fundamentalistas contra o projeto de lei 122/2006, que criminaliza a homofobia", disse, em entrevista ao UOL, o presidente da ABGLT Toni Reis.

Entre os dados citados como exemplo da suposta homofobia de Crivella, no manifesto da ABGLT, estão: "um artigo do candidato intitulado 'perigo para as famílias brasileiras', que saiu no Jornal do Brasil em 2007; um trecho de uma entrevista concedida por Crivela, que ele afirmou que 'ninguém pode ter neste país a obrigação de concordar que não se pode criticar o homossexualismo' (O Globo, 25/09/2008)".

Para o presidente da ABGLT, as atitudes do candidato do PRB contra os homossexuais não são totalmente influenciadas pela religião. "Pode até ser que a religião esteja influenciando nas atitudes do candidato. Mas, não podemos generalizar. Por exemplo, temos o candidato a prefeito da cidade de Salvador, Pinheiro, que é evangélico, mas a ABGLT o considera um aliado porque, várias vezes, se pronunciou favorável à promoção dos direitos humanos da comunidade LGBT", afirmou.

No manifesto, a associação também pede para seus aliados não votarem em Crivella "para garantir um estado democrático e não fundamentalista". O documento foi entregue aos 226 parlamentares integrantes da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais), no Congresso Nacional.

Procurada pelo UOL Eleições, a assessoria de imprensa do candidato Marcello Crivella disse que não responde a esse tipo de manifesto.
Fonte: UOL - divulgação: O Verbo

Polêmica: Igreja Católica é afrontada em data religiosa pela Parada Gay no RJ

Moradores de Copacabana temem caos porque evento será no dia de procissão e maratona

Fonte: Port Arthur Rosa - O Dia On line

Rio - O que pode acontecer quando, no mesmo dia e lugar, ocorrem uma maratona, uma procissão católica e uma parada gay? No mínimo, muita polêmica. Os três eventos estão marcados para dia 12, na Avenida Atlântica, em Copacabana, dia de Nossa Senhora Aparecida, e moradores do bairro reclamam, solicitando o adiamento da Parada do Orgulho GLBT-Rio. O assunto já parou na mesa do prefeito Cesar Maia.

De acordo com o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, moradores pediram a mudança. “Esta data é sagrada para os católicos e é comum a procissão na orla com a imagem de Nossa Senhora. Como é domingo e Dia das Crianças, as pistas da Avenida Atlântica viram área de lazer. A realização da Parada Gay neste dia é inadequado e equivocado”, diz Horácio.

Segundo ele, a questão não é discriminatória, mas estrutural. “Não temos nada contra o evento, mas o bairro precisa existir. O público que freqüenta a Parada é imenso. Ano passado, o barulho era tanto, que os alarmes dos carros estacionados disparavam em série. Fora os congestionamentos. Precisamos pensar no bem-estar dos moradores”, afirmou.

Por e-mail, o prefeito Cesar Maia disse que recebeu dos órgãos estaduais documentos aprovando a realização da Parada e que chegou a propor aos coordenadores a transferência para dia 19. “A sugestão não foi aceita pelos organizadores. Seria melhor para todos”, lamentou. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os órgãos de segurança fazem planejamento para eventos, mas a Prefeitura dá a palavra final sobre sua realização.

O presidente do Grupo Arco-Íris e coordenador geral da Parada do Orgulho GLBT-Rio, que está em sua 13ª edição, Cláudio Nascimento, confirma a sugestão da Subprefeitura da Zona Sul. “Foi proposto o adiamento, mas não haveria tempo hábil para as mudanças.

Fizemos acordo para começar a Parada mais tarde, já que os outros eventos são pela manhã”, diz Cláudio. A edição do ano passado reuniu mais de um milhão de pessoas. “Melhoramos a organização pensando em todos. Os trios elétricos só chegarão para o início, às 13h”, diz. Para ele, a questão é discriminatória. “Por que só nós precisamos mudar a data? Fomos os primeiros a nos comunicar com as autoridades”, argumenta.

Para a Arquidiocese do Rio, é possível conciliar. “A procissão ocorrerá pela manhã. Há espaço para todos”, disse o assessor da Cúria, padre Leandro Curi. A XII Meia Maratona Internacional terá a última largada às 9h15, em São Conrado, e o percurso inclui a Avenida Atlântica.

FESTAS NA CHUVA EM MADUREIRA E NOVA IGUAÇU

Enquanto a polêmica envolve o evento em Copacabana, a Parada do Orgulho Gay de Madureira ocupou ontem as ruas do bairro, mesmo sob chuva. Com muita animação, militantes, simpatizantes e curiosos dançaram ao som de trio elétrico. Por causa da chuva, a passeata ficou concentrada no Viaduto de Madureira e na Rua Carvalho de Souza e só saiu à noite. Organizadores chegaram a calcular em 1,5 milhão de participantes.

Nova Iguaçu também realizou sua 5ª Parada Gay, ontem à tarde. Com o tema ‘LGBT vota, paga imposto e exige respeito’, o evento foi organizado por grupos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) do município e reuniu cerca de 120 mil pessoas, segundo a organização. Foram listados 32 direitos que, segundo os grupos, são negados aos gays no Brasil. Eles citaram levantamento do Grupo Gay da Bahia segundo o qual uma pessoa morre, a cada dois dias por causa de sua orientação sexual.

Na abertura, a transformista Jane Di Castro cantou o Hino Nacional. O evento contou com shows de covers de artistas como Ana Carolina (Suellen Pinheiro) Gal Costa (Andréa Gasparelly), Alcione (Kayka Sabatella) e Ivete Sangalo (Samara Rios).

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Governo iraniano estuda projeto de lei contra apostasia

IRÃ - O Parlamento Iraniano aprovou, em 9 de setembro, um projeto de lei que estipula a pena de morte por apostasia. O projeto foi aprovado por 196 votos, sete contra e duas abstenções.
A minuta do projeto de lei adicionará muitos crimes na lista que resultam em execução, entre eles: estabelecer blogs e sites promovendo a corrupção, prostituição e apostasia.

O progresso desse projeto no Parlamento Iraniano deixa preocupado um crescente número de iranianos que trocam o islamismo por outra religião – além de representar um significante regresso aos direitos humanos no Irã.

Comissão de refugiados da ONU preocupa-se

Que a apostasia é um enorme risco em qualquer país muçulmano não é novidade para nenhum apóstata. Que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR) nem sempre compartilhe essa visão, entretanto, é novidade para muitos.

Nos últimos anos, muitos países ocidentais têm enviado de volta para o Irã cristãos que buscam abrigo, incluindo os apóstatas, uma vez que o UNHCR declara que eles não serão perseguidos.

Implicações

No dia 10 de setembro, Compass Direct noticiou que dois cristãos iranianos foram oficialmente acusados de apostasia.

Mahmood Matin Azad (52) e Arash Basirat (44) estão presos desde sua detenção em Shiraz, em 15 de maio “sob suspeita de apostasia”. Os dois homens foram acusados com “Propaganda contra a República Islâmica do Irã”.

Com o projeto de lei sobre a apostasia sendo discutido no Parlamento, alguns cristãos iranianos temem que as autoridades façam dos dois prisioneiros um exemplo, ou usem a lei como “teste”.
Fonte: Portas Abertas

EUA: Departamento de Estado publica relatório sobre liberdade religiosa

Em 19 de setembro, o Departamento de Estado Americano lançou o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional 2008. A edição cobriu 198 países e territórios.

- Segundo John V. Hanford III, embaixador pela liberdade religiosa, a Coréia do Norte continua a ser o maior violador. O culto a Kim Jong-il e ao seu falecido pai ainda é uma importante base do regime, uma vez que esse culto chega a ser uma espécie de religião do Estado.

Alguns estrangeiros que visitaram o país contaram que os cultos prestados nas igrejas cristãs do governo pareciam encenações. Os sermões eram impregnados de conteúdo político que apoiava o regime. Os norte-coreanos que atendiam aos cultos chegavam e iam embora juntos, em ônibus de turismo.

Segundo o embaixador John Hanford, pode-se dizer que a Coréia do Norte é um lugar onde simplesmente não existe liberdade religiosa. É muito difícil obter informação sobre o país. A maioria vem de fugitivos.

Estima-se que 150 mil a 200 mil pessoas estejam presas em campos de concentração em áreas remotas. Esses são lugares cruéis e refugiados que ficaram ali relataram que as pessoas presas por motivos religiosos são tratadas pior do que os outros detentos.

Eritréia, Índia, Mianmar e Vietnã

Durante o período coberto pelo relatório, o governo da Eritréia continua a ter um péssimo registro de abusos à liberdade: prisões, torturas e até o assassinato de alguns cidadãos que simplesmente realizavam cultos fora de uma das quatro entidades religiosas aprovadas pelo governo.

Na Índia, foi observado o aumento da violência contra os cristãos no Estado de Orissa, onde fatores religiosos combinaram-se a descontentamentos sociais, econômicos e étnicos. Essa combinação gerou intranqüilidade, a despeito dos esforços do governo central para manter a harmonia da comunidade.

A violência anticristã alastrou-se ao Estado de Karnataka na semana passada, e um pouco dela parece ter motivações políticas, uma vez que parte dos ataques foi realizado pela polícia.

Em setembro de 2007, o regime militar de Mianmar suprimiu com violência alguns protestos pacíficos realizados por monges budistas e cidadãos comuns. Em resposta, forças de segurança invadiram monastérios budistas e, em alguns casos, destruíram-nos.

Segundo o relatório, o Vietnã caminha positivamente. Ele está se movendo mais lentamente do que o esperado, particularmente no que diz respeito ao registro de lugares de culto. Mas, para o embaixador, o governo tem tomado decisões que dão mais espaço para seguidores de quase todos os grupos religiosos praticarem sua fé.

Mundo muçulmano

O governo do Irã continua a oprimir grupos islâmicos não-xiitas, cristãos e judeus. Um foco especial é dado a dois convertidos muçulmanos que foram acusados oficialmente de apostasia.

No Egito decretou-se que a liberdade de conversão é destinada apenas aos que não são muçulmanos. Mais uma vez, o governo foi incapaz de reparar leis e práticas que discriminam a minoria cristã, ao proibir a construção e reforma em propriedades das igrejas.

As autoridades também prenderam muçulmanos convertidos ao cristianismo e defensores da liberdade religiosa, intimidando-os a fim de que não mais protestassem após sua libertação.

Constataram-se problemas também na Argélia e na Jordânia, que tradicionalmente se mostravam respeitosas às minorias religiosas.

Da Argélia vieram afirmações de que o governo tem restringido o culto cristão, prendendo, sentenciando convertidos ao cristianismo e fechando igrejas.

Na Jordânia, um tribunal da sharia condenou um ex-muçulmano por apostasia, anulou seu casamento e deixou-o sem identidade religiosa.

O governo jordaniano também tem perturbado pessoas e indivíduos com base na filiação religiosa deles.

John Hanford notou algumas melhorias na Arábia Saudita, como a libertação de alguns prisioneiros.

Para ele, o número de problemas relacionados à polícia religiosa, o mutaween, diminuiu. Os ataques que costumavam ser realizados – inclusive a lugares de culto não-muçulmanos – estão ocorrendo de forma menos freqüente.

Ásia Central

Na Ásia Central, o Cazaquistão, o Quiguistão e o Tadjiquistão têm tido mudanças problemáticas para mudar suas leis religiosas, o que pode trazer restrições significativas.

No Uzbequistão, as leis que exigem o registro de lugares de culto resultaram na prisão de pessoas que praticavam pacificamente sua religião.

Também é preocupante o número de cidadãos muçulmanos suspeitos de atividades extremistas. O Uzbequistão possui, de fato, elementos terroristas em seu meio.
Fonte: Portas Abertas